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Alexandre Teixeira é editor-executivo de Época NEGÓCIOS.
Vai acompanhar neste espaço as novidades das finanças - sobretudo
as pessoais.
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A Vale, mais barata Surpresa: “Bolsa recua 3%, afetada por ações da Vale”, afirma a Folha de S. Paulo, em sua edição de hoje. Destaque de valorização nas últimas semanas, o papel da companhia registrou queda de 7,76% no pregão de ontem. Para os analistas, os investidores venderam suas ações para embolsar os ganhos obtidos nos últimos pregões. Não há outra explicação.
A Vale continua a todo vapor. Ontem mesmo arrematou um trecho da Ferrovia Norte-Sul, em leilão que a teve como única participante. Pagou o preço mínimo de R$ 1,478 bi. E vai ficar com a estrada de ferro por 30 anos. O transporte de grãos será a prioridade no corredor ferroviário de 720 km entre Açailândia (MA) e Palmas (TO).
Ainda ontem, a Vale acertou os termos de sua parceira com a siderúrgica chinesa Baosteel para a construção de uma usina de US$ 5,5 bilhões no Espírito Santo.
Ponha tudo isso na balança e a conclusão é única e inescapável: as ações da Vale continuam tão boas como sempre. Ficaram momentaneamente mais baratas. E, portanto, atrativas.
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04/10/2007 |
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A Cassandra de Washington
E lá está Alan Greenspan de novo, agora em vídeo da Bloomberg, dizendo que as chances de recessão nos EUA aumentaram. Dá até para imaginar o titular do Fed, Ben Bernanke, levando as mãos à cabeça, em desespero: “de novo não, Alan”.
Famoso por ser uma esfinge em seus dias de presidente do banco central americano, um sujeito de poucas palavras, não raro enigmáticas, Greenspan está se revelando um tagarela em sua vida pós-Fed. O que é um aborrecimento e tanto para Bernanke, seu sucessor. Com status de lenda viva por ter pilotado a política monetária americana por 18 anos, Greenspan é uma referência. Tudo o que diz é ouvido, amplificado, estudado e resulta em decisões de investimento. Ao se transformar numa Cassandra midiática de língua solta, ele joga gasolina no fogo dos mercados nervosos – enquanto o pobre Bernanke faz as vezes de bombeiro.
Greenspan parece ter esquecido da prudente cortesia de seu antecessor, o igualmente mítico Paul Volcker, que recolheu-se ao mais profundo silêncio no dia em que passou pela última vez pelos portões do Federal Reserve. Verdade seja dita, o “Maestro” vinha se comportando com bastante discrição até recentemente. Diante do lançamento mundial de seu livro de memórias, porém, virou figurinha fácil na imprensa mundial e em eventos, vendo-se obrigado a dar opiniões sobre a economia dos Estados Unidos e do mundo com uma freqüência perturbadora. Espera-se que, passado este frenesi literário, Bernanke e companhia voltem a desfrutar de algum silêncio pelo menos em Washington. Trabalhar o tempo todo sob o espectro de Alan Greenspan já parece difícil o bastante. Se o fantasma insiste em aparecer na sala a toda hora, as coisas ficam realmente complicadas. |
02/10/2007 |
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No fundo do poço. Oba!
Más notícias? Quem se arrisca a definir o que são novidades boas ou ruins quando a teoria da relatividade é aplicada aos mercados?
Escrevi esta manhã que informações negativas vindas de Wall Street, sob a forma de balanços financeiros machucados pela crise financeira de agosto, poderiam provocar abalos nas bolsas internacionais. Citei especificamente o caso do Citigroup, cujo presidente alertava o mercado para resultados “desapontadores”.
Pois bem. O índice Dow Jones bateu novo recorde esta tarde, refletindo uma onda de euforia sustentada pela tese de que a crise do subprime pode ter batido no fundo do poço (veja reportagem da Bloomberg aqui). Os resultados do Citigroup foram mesmo muito ruins. Piores até do que se esperava. Mas, numa aparente contradição, as ações do gigante financeiro americano subiram forte, diante da especulação de que o pior já passou. O mesmo aconteceu com o suíço UBS (outro artigo da Bloomberg aqui).
A surpreendente leitura do mercado é de que, daqui para frente, o cenário só pode melhorar. Logo, seria hora de sair comprando, “na baixa”. Resultado: o principal índice da Bolsa de Nova York superou o patamar mais alto a que havia chegado antes do início da turbulência, na virada de julho para agosto. Como fez o Ibovespa na semana passada.
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01/10/2007 |
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Barbas de molho
Vem aí uma temporada de más notícias vindas de Wall Street, com possíveis impactos sobre a Bovespa – apesar do propalado descolamento da bolsa paulista da de Nova York. Como era de se esperar, a crise afeta o lucro das empresas nos EUA e o aumento dos ganhos das companhias listadas no S&P 500 no terceiro trimestre tende a ser o menor em mais de cinco anos.
Exemplo: o Citi avisa que terá grande queda nos ganhos. Coisa de 60% nas receitas do terceiro trimestre, como resultado da turbulência nos mercados de títulos lastreados em hipotecas e também de um ambiente menos favorável no crédito ao consumidor. Charles Prince, presidente executivo do Citi, classificou os resultados de “claro desapontamento” (veja aqui o post do DealBook, blog de negócios do New York Times).
Quando este e outros números decepcionantes forem divulgados, nos próximos dias, é esperado que o merado reaja negativamente.
A parte os resultados corporativos americanos, as reuniões dos bancos centrais da União Européia e do Reino Unido dão o tom do mercado nesta semana, que terá a agenda doméstica dominada por índices de inflação.
Por tudo isso, ponha as barbas de molho nos próximos dias.
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01/10/2007 |
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Meus conselhos furados...
O mercado financeiro é mesmo coisa de louco. A manchete dos portais de notícias hoje é: “Bovespa supera 60 mil pontos pela primeira vez”. E duas semanas atrás discutíamos os riscos de recessão global.
No meu primeiro post neste blog, contei a história de um amigo que, animado com as altas da bolsa, estava a ponto de aplicar 50% de sua poupança em um fundo de ações. Isso foi na virada de junho para julho. Depois de me ouvir dizer que ia fazer loucura, ele desistiu de entrar na bolsa – embora minha crítica fosse à porcentagem do patrimônio investido e não ao investimento em si.
Agora há pouco, esse velho camarada me provocou: “se eu não tivesse te ouvido, estaria ganhando um bom dinheiro agora, heim?” Verdade. Ao longo do mês de julho, o Ibovespa ainda subiu bastante, antes da crise no mercado imobiliário americano virar o mundo financeiro de cabeça para baixo e nos atirar no que, em dado momento, foi discutido como uma Grande Depressão à 1929. Posso dizer que poupei meu amigo de noites de insônia sobretudo no início de agosto. Mas, dada a insana (e a palavra é esta mesma) recuperação da Bovespa neste mês de setembro, o saldo final de um investimento em ações feito no início de julho seria bem positivo a esta altura do campeonato.
Não retiro nada do que disse, claro. Debutar na bolsa de valores investindo 50% da sua poupança é e continuará sendo irresponsabilidade. “Bolsa é investimento de longo prazo”, alguém sempre lembra. “Se você tiver isso em mente, não precisa se preocupar com perdas momentâneas.” Claro. Lindo. Mas pergunte a alguém que tinha grande parte de seu patrimônio em ações, ainda que pensando no futuro, que tal foram os dias de agosto quando o mercado parecia não ter chão.
De qualquer modo, admito que simplesmente não considerei um cenário tão positivo como o que estamos vivendo hoje.
Curioso, resgatei um artigo que escrevi para o especial "Onde Investir em 2007", da revista Istoé Dinheiro, publicado em janeiro deste ano. O texto é bastante otimista, construído sob o mote “é hora de ousar”. Mas o máximo que me arrisquei a prever foi que o Ibovespa deveria “romper a marca dos 50 mil pontos”. IPOs? Escrevi que poderíamos “chegar facilmente a 30”. Bom, outubro ainda nem chegou e já estamos em 60 mil pontos e tivemos 49 aberturas de capital. Fui, no mínimo, conservador. Mas digo a meu favor que não li nem ouvi nenhuma opinião otimista o bastante para prever o que estamos vivendo hoje. Se você ousou mais do que os demais e teve sangue frio para ficar firme quando o mundo parecia derreter, parabéns. Mas por favor não esqueça dos riscos. Eles sempre estarão por perto, esperando um vacilo seu.
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27/09/2007 |
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Fuja do dólar
Se diante da turbulência financeira de agosto você comprou dólares para se proteger – e ficou contente ao ver o câmbio “brilhar” como melhor aplicação do mês –, já deve ter percebido que o sucesso dessa operação foi efêmero. O dólar já está novamente abaixo de R$ 1,90 – e, tudo indica, vai cair mais.
Há, antes de mais nada, um problema estrutural na economia americana que começa a tornar profunda a anemia de sua moeda. O valor do dólar caiu a seu nível histórico mais baixo ante o euro ontem. A moeda européia foi negociada abaixo de US$ 1,40 pela primeira vez desde que foi introduzida, há nove anos (leia a reportagem do New York Times sobre o assunto). E este não parece ser o fundo do poço.
Em seu recém-criado blog, Paul Krugman escreve que o déficit comercial dos EUA não é sustentável no longo prazo, o que significa que, mais cedo ou mais tarde, o dólar tem que cair (mais).
O próprio Krugman remete para o blog The Big Picture, de Barry Ritholz, que cita por sua vez uma reportagem do britânico Telegraph para dizer que a Arábia Saudita, rica nos antes chamados petrodólares, pode estar se preparando para abandonar a paridade com o dólar. “Isso poderia provocar uma reação em cadeia pelo Oriente Médio”, ou seja, uma fuga em massa dos países da região para uma cesta de moedas ou, mais provavelmente, para o euro.
O jornalista do Telegraph já havia alertado para a chamada “opção nuclear” da China: a ameaça, pelo governo chinês, de liquidar suas gigantescas posições em bônus do Tesouro dos EUA, se Washington impuser sanções comerciais para forçar uma revalorização do Yuan. Ritzholz avalia que “essa ação poderia disparar um crash do dólar, em um momento em que a moeda dos EUA já está quebrando barreiras históricas de baixa”.
Com tudo isso, fica claro por que o dólar deixou de ser uma boa alternativa de reserva de valor. Você talvez queira simplesmente trocar o dólar pelo euro. Mas lembre-se de que, com a redução dos juros americanos, a remuneração do capital no Brasil voltou a ficar extremamente apetitosa para o investidor estrangeiro, o País continua na moda e, portanto, espera-se um fluxo de moeda estrangeira volumoso para cá. Não há, por ora, nada no cenário que sugira o câmbio como boa alternativa de investimento.
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21/09/2007 |
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Crítica por antecipação
Discordo do que Alcides Amaral, ex-presidente do Citibank, escreveu em seu recém-lançado blog.
Ele diz, para começar, que parece não haver dúvidas de que o crescimento americano será afetado pela crise imobiliária. Mas, depois do generoso corte de meio ponto na taxa básica de juros dos EUA e do surto de otimismo que se seguiu a ele, é preciso ao menos considerar um cenário de impacto mínimo sobre a economia real.
Mas o alvo de Amaral é o governo Lula, que, segundo ele, “parece acompanhar tudo de binóculo”. Ora, não há, até o momento, exemplo concreto de medida que deveria ter sido tomada para combater a crise e não foi. O ex-presidente do Citi diz que o “céu de brigadeiro do cenário internacional parece estar começando a ficar carregado”, mas, de novo, é cedo para dizer que o tempo fechou e precisamos correr para o abrigo. Até concordo que seria inocente “acharmos que está tudo bem porque a economia cresceu 4,9% no primeiro semestre”, mas o que, exatamente, Mantega e Meirelles deveriam fazer de antemão: subir os juros?, aumentar a meta de superávit fiscal?
Amaral usa sua experiência de executivo para sublinhar a importância de antecipar problemas e diz que “parece, infelizmente, que o governo pensa o contrário”. Insisto: é, no mínimo, prematuro cobrar providências imediatas do governo brasileiro para enfrentar uma crise que não se sabe se e como afetará a nossa economia real.
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20/09/2007 |
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Fechamento de capital? E a Gol, vai fechar seu capital? Os Constantino se cansaram de tanta transparência depois de dois anos na Bovespa?
A notícia do possível fechamento de capital da companhia aérea circulou hoje, mas essa discussão já é conhecida pelo mercado há cerca de quatro meses. Conversei hoje com um investidor brasileiro de peso, controlador de uma holding de companhias de médio e grande porte, algumas delas negociadas na Bovespa, que diz compreender perfeitamente os motivos por trás de uma provável recompra dos papéis da Gol. Sob a condição do anonimato, ele explica:
-- São dois fatores. De um lado, o mercado não está mais dando à Gol o valor que ela considera adequado. Suas ações caíram quase 50% nos últimos meses. De outro, com a politização do setor aéreo, os lucros das aerolinhas passaram a ser mal-vistos. Ou seja, a Gol só leva pancada do mercado, do governo e da opinião pública. Logo, os Constantino devem estar calculando que talvez não valha a pena manter o capital aberto.
Na avaliação deste investidor, a questão da transparência hoje exigida pela Bovespa é relevante, sim, na decisão de manter ou não o capital aberto. Mas não porque a Gol esteja desconfortável na posição de empresa aberta. O ponto é que ser transparente dá trabalho, tem um custo e expõe o balanço da empresa aos olhares de investidores, políticos, jornalistas, etc. “É sempre uma questão de custo-benefício. Se o mercado não estiver mais disposto a dar um prêmio à Gol, é razoável que ela saia da bolsa. Mas, desde que entraram na Bovespa, eles têm sido modelo de transparência.”
E se amanhã o setor se recupera e o mercado volta a demandar papéis de companhias aéreas? “Eles reabrem o capital, sem stress”, responde o investidor.
De acordo com os regulamentos da CVM, uma empresa listada na bolsa é obrigada a comunicar ao mercado uma decisão de recompra de ações. Não pode, portanto, adquirir seus papéis na surdina para estimular uma alta – até porque o mercado muito provavelmente perceberia tal movimento. Se quiser fechar capital, a Gol terá de fazer uma oferta formal de recompra. Para sair da bolsa, seria então necessário que ela adquirisse o equivalente a dois terços de suas ações.
Se essa oferta for feita, os acionistas minoritários (quaisquer investidores que tenham ações da Gol na carteira) não são obrigados a aceitá-la. Com um terço mais uma ação no mercado, o capital da empresa continua formalmente aberto. E mesmo se ele for fechado, é possível seguir sendo acionista. O problema é que quem recusar uma proposta desse tipo sempre corre o risco de ficar com um papel sem liquidez.
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19/09/2007 |
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Festeje como se fosse 1999
Todo mundo feliz com a bolsa de novo?
É para estar. Depois que os EUA cortaram seus juros em meio ponto (corte mais profundo do que se esperava) para evitar que a crise imobiliária contagie o crescimento do país, as bolsas dispararam. A Bovespa subiu 4,28% ontem, abriu em forte alta esta manhã e, mantido esse ritmo, deve recuperar as perdas da crise nas próximas horas.
É fato, o Fed arrumou sarna para se coçar. Viverá os próximos meses (anos?) tentando se equilibrar entre inflação e recessão. Mas, como diria o presidente Lula, problema deles. Pelo menos por enquanto. O dólar caiu a R$ 1,87 (baixa de 2,29% em um só dia!), o risco-país recuou 5,5%, tivemos ontem o segundo melhor pregão do ano e, sustos à parte, a nossa bolsa acumula alta de 27,4% em 2007.
É claro que as nuvens negras permanecem no horizonte. Como disse o economista Alex Agostini, da Austin Rating, à Folha de S. Paulo, os diretores do Fed, para terem decidido um corte deste tamanho, “podem estar vendo uma crise mais preocupante que a projetada pelos agentes do mercado financeiro”. Mas, de novo, vamos curtir a festa “como se fosse 1999”.
O futuro imediato que subitamente (re)apareceu para os mercados brasileiros é extremamente positivo. O problema no setor bancário internacional não deve ser menosprezado, mas a hipótese de que o Fed estaria disposto a flertar com a recessão para disciplinar o mercado parece ter sido descartada ontem.
Acho muito improvável que tenhamos visto o início de uma série de cortes dos juros nos EUA. Ao contrário, acredito na tese do “one and done” – ou seja, um corte e acabou, com efeito sobretudo psicológico sobre os mercados. Para mim, é uma decisão perfeitamente razoável, já que se tratava, antes de mais nada, de conter o pânico e dar tempo aos “agentes financeiros” para calcular prejuízos e lamber as feridas, sem atirar o mundo em uma grande depressão.
O Fed, enfim, passou recibo ao mercado e assumiu que, no momento, está mais preocupado com a ameaça de recessão do que com o risco de inflação. Tem sido assim que o banco central dos EUA se comporta nas crises desde o início da era Greenspan, há 20 anos. Motivos para crítica não faltam. O ex-economista-chefe do FMI, Raghuram Rajan, hoje na Universidade de Chicago, chama a atenção (em outra reportagem da Folha) para o risco de o mercado acreditar que o Fed “virá em socorro” sempre que surgir um problema. Para Delfim Netto (no mesmo jornal), os EUA “premiam” a atuação de risco nos mercados. E uma análise do Financial Times indica que a decisão eleva a ameaça de inflação e bolha acionária.
É tudo verdade. Mas, do nosso ponto de vista, o que importa agora é que, após o Fed se dobrar às pressões do mercado, cresceu a aposta de novo corte dos juros básicos no Brasil e tornou-se menor o risco de recessão mundial. O diferencial entre os juros brasileiros e a média mundial volta a ficar muito grande, o que deverá elevar a entrada de investidores estrangeiros. São argumentos que, espera-se, o BC brasileiro levará em conta nas próximas reuniões do Copom.
Afinal, até o FMI diz que há espaço para novas reduções nos juros.
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19/09/2007 |
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Baixou o Greenspan
Surpresa: o Fed cortou a taxa básica de juros nos EUA em meio ponto porcentual, e não em 0,25 como a maioria dos analistas esperava. Num primeiro momento, fiquei até com medo de que, por achar que um remédio tão forte seria sinal de que a doença é grave, o mercado caísse. Mas, não. As bolsas acentuaram a alta que já vinham ensaiando desde o início da manhã.
Alexandre Póvoa, da Modal Asset Management, acaba de divulgar uma consistente análise sobre a decisão. Para ele, “baixou o espírito de Greenspan” em Ben Bernanke. No sentido de que Alan Greenspan ganhou fama de “herói do mercado” por organizar resgates em momentos críticos para os investidores.
“Se o problema está resolvido? Cabe lembrar que o tamanho da ajuda é proporcional ao tamanho do problema. É natural a reação positiva do mercado, mas pode ser prematura. Se amanhã, surgir um novo ‘corpo boiando’, um novo grande problema de crédito, qual será a próximo bote em que o mercado irá embarcar?”, escreveu Póvoa. “Demanda por mais cortes de juros mesmo com a inflação ainda não totalmente resolvida?”
Póvoa levanta a questão do chamado “moral hazard”, o risco moral de se passar a mão na cabeça dos investidores que tiram a barriga da miséria nos tempos de vacas gordas e depois pedem socorro quando as bolhas criadas por eles explodem. “A mensagem é a seguinte: endividem-se, alavanquem-sem, ganhem dinheiro; na hora do aperto, sempre haverá um BC ou um governo para resolver”, afirma o gestor de fundos brasileiro. “Só o tempo dirá se Bernanke se transformará no novo ‘herói do mercado’.”
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18/09/2007 |
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Dia "D" para o Fed
Chegou o dia. Conheceremos hoje a decisão do Fed, o banco central americano, sobre a taxa de juros básica para os EUA.
Minha modesta aposta é que o Fed fará o mais esperado e cortará os juros em 0,25 ponto percentual. E que, com isso, a crise vai “murchar”, sim – para usar a palavra escolhida por Vinicius Torres Freire, em seu artigo de hoje na Folha de S. Paulo. Se fizer isso, Ben Bernanke sinalizará ao mercado que está disposto a intervir quando necessário para impedir que a crise financeira atinja muito duramente a economia real.
Seria mais um “placebo”, para usar outra expressão feliz de Torres Freire, do que uma medida preventiva contra um movimento de desaceleração brusca da economia americana – o qual, por sinal, não está no cenário, pelo menos por enquanto.
Se optar pelo corte, porém, Bernanke sabe que estará criando problemas para si mesmo. Em especial, um provável aumento da inflação americana. E uma desvalorização ainda maior do dólar – fatores que se retroalimentam mutuamente. Mas dar uma de durão agora e peitar uma aposta contra todo o mercado americano (e mundial) não parece ser a coisa mais sensata a fazer.
Uma matéria no boletim de finanças pessoais do New York Times de ontem (segunda-feira) diz que a manutenção da taxa atual (5,25%) está “fora de consideração” e que os mercados futuros indicam “uma grande queda” nos juros básicos nos próximos meses – ou seja, uma aposta em que o corte de hoje, dado como certo, será o primeiro de uma série. Diz o artigo que, se essa queda não começar a se materializar na terça-feira, os mercados “poderiam ficar muito desapontados” – um tremendo eufemismo para o que pode ser uma resposta violentamente negativa nas bolsas do mundo todo.
Muitos analistas, aliás, dizem que mesmo o esperado corte de 0,25 ponto não será suficiente para “restaurar a confiança” no mercado de crédito. Mas, até aí, não se pode contentar a todos.
Com a Bovespa operando em alta esta manhã, ainda vale o conselho de ontem. Se você pensa em sair da bolsa, sem prejuízos, para não se aborrecer mais com esse tipo de discussão, a hora é esta. Daqui a algumas horas, a tal “turbulência” pode estar de volta. Com força.
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18/09/2007 |
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Proteja-se agora!
Quem está pensando em alterar a composição de seus investimentos – por exemplo, aqueles que zeraram seus prejuízos com a turbulência do mês passado e cogitam reduzir sua exposição ao mercado de ações – deve pensar seriamente em fazê-lo hoje. Já. A previsão do tempo financeiro para amanhã indica que é forte o risco de chuvas e trovoadas. Potencialmente capazes de reiniciar a montanha-russa nas bolsas do mundo todo.
O grande assunto, claro, é a decisão mais importante do Federal Reserve (o banco central americano) neste ano. Ben Bernanke e companhia decidem amanhã se cedem ou não às pressões do mercado e cortam a taxa básica de juros dos EUA. Ela está em 5,25% e a maioria das projeções aponta uma redução de 0,25 ponto porcentual, para 5%. Isso significa que os investidores americanos – e em boa medida do mundo todo – esperam que o Fed comece um processo de corte dos juros para baratear o custo do dinheiro e aliviar a barra daqueles que ficaram com a corda no pescoço depois que o estouro da bolha imobiliária literalmente travou o mercado de crédito. Problema: se o Fed disser “não”, o desespero pode voltar a Wall Street, com resultados negativos (para dizer o mínimo) sobre os demais mercados – incluindo o nosso, claro.
E por que o Fed não atenderia as preces dos investidores na hora de seu maior aperto em anos?
Porque, também nos EUA, o espectro da aceleração inflacionária ronda os formuladores da política monetária. Ninguém menos que Alan Greenspan sugere cautela no corte dos juros. O ex-presidente do Fed alerta para riscos de inflação, que calcula serem maiores agora do que quando ele estava no comando (entre 1987 e 2006). Seu temor principal é estrutural: a China estaria superando a fase de industrialização por meio de produtos muito baratos, que ajudou muito a segurar os preços no mercado americano nas últimas duas décadas.
Também amanhã serão analisados com lupa os resultados do Lehman Brothers, o primeiro de quatro grandes bancos de investimento americanos a apresentar nesta semana seus números trimestrais – os primeiros pós-crise financeira (veja aqui o artigo da Associated Press sobre o tema). É possível – ou melhor, provável – que os resultados revelem perdas importantes com títulos lastreados em créditos imobiliários podres. Seria mais um indício de agravamento da crise financeira que provocou uma perda adicional de 1,8% nos ativos do fundo de hedge Goldman Sachs Opportunities na primeira semana de setembro, aumentando seus prejuízos – que já haviam forçado uma injeção de US$ 3 bilhões no mês passado (clique aqui para ler uma reportagem da Bloomberg sobre o caso)
Por tudo isso, prevê-se uma terça-feira de abalar os nervos, que ditará, pelo menos, o rumo da semana. Se tiver que se proteger, faça isso agora.
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17/09/2007 |
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Terapeuta financeiro???
O mercado de aconselhamento financeiro cresce forte no Brasil e oferece serviços para (quase) todos os gostos. Um dos mais curiosos que vi anunciados nos últimos tempos é o de Reinado Domingos, que se apresenta como “terapeuta financeiro”, lança na semana que vem seu primeiro livro, Terapia Financeira – quebre o ciclo das gerações endividadas e construa sua independência financeira, e prepara um ciclo de palestras especiais para mulheres. Segundo Domingos, elas são as principais responsáveis pela organização financeira das famílias, mas levam a fama de consumistas e perdulárias. Intrigado, bati um papo virtual com ele.
FINANÇAS DE BOLSO – O que é um terapeuta financeiro? REINALDO DOMINGOS – Ao longo dos anos, venho fazendo diversas palestras que contemplam principalmente o comportamento das pessoas quanto ao dinheiro. Tenho percebido que por meio desta abordagem as pessoas conseguem assimilar melhor a relação de ganho e gastos. Daí resolvi materializar a metodologia DiSOP utilizada em minha vida, por meio desta obra, Terapia Financeira. O tema "sonho" entra como o grande diferencial em relação aos demais consultores financeiros. Nesta minha estrada, as pessoas que ajudei foram me intitulando terapeuta financeiro.
FB - Você pode me resumir sua formação/experiência? DOMINGOS - Sou sócio fundador do Grupo Confirp, empresa com mais de duas décadas no mercado de consultoria contábil, consultor financeiro da empresa Financeiro 24horas.com e de outras empresas. Sou rotariano governador, indicado do Rotary Internacional 2009-10, diretor-suplente da Fenacon 2004-07, presidente do Grupo Alliance, composto por 10 empresas que visam indicações seguras. Sou bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade São Judas Tadeu e pós-graduado em analise de sistemas pela Fundação Álvares Penteado.
FB - Qual o mote de seu primeiro livro Terapia Financeira? DOMINGOS – Fazer com que todas as pessoas possam ser independentes financeiramente, por meio da metodologia DiSOP, visto que nossos avós não ensinaram nossos pais, que, por sua vez, não nos ensinaram e, se não aprendermos nesta geração, certamente nossos filhos também não serão educados financeiramente. Também não podemos esquecer que nossas escolas não praticam, em nenhuma de suas grades curriculares, esta disciplina, que contempla a mudança de hábitos e costumes.
FB - Por que, agora, a decisão de preparar um trabalho voltado especificamente para mulheres? DOMINGOS – As mulheres em nosso país vêm assumindo um papel de gestoras do lar, além de muitas vezes assumirem o controle de ganhos da família. Independentemente de o ganho vir do homem ou da mulher, esta é que define o destino do dinheiro empregado no orçamento doméstico, como por exemplo gastos e investimentos com compras de vestuário, alimentação, presentes entre outros.
FB – E mesmo assim elas levam a fama de perdulárias... DOMINGOS – Não é bem isso. O gasto em excesso (supostamente da mulher) muitas vezes se confunde com o gasto da família como um todo. Como é a mulher que decide e executa todos os dispêndios financeiros do lar, ela é intitulada perdulária. Logicamente, esta regra não se aplica a todas. O advento da mídia agressiva, televisão, do rádio, da internet, etc., acaba gerando o consumo por impulso. É neste ponto que temos que trabalhar, mostrando para a mulher e para a família o custo de cada item gasto dentro do orçamento familiar.
FB – E o que é a metodologia DiSOP? DOMINGOS – A metodologia DiSOP foi baseada em minha experiência real. Desde a minha juventude, apliquei empiricamente atitudes como poupar para comprar qualquer sonho (objetivo e meta). Para tanto, logo cedo comecei a me capitalizar, ou seja, a guardar dinheiro para sonhos de curto, médio e longo prazo, sempre controlando meus gastos por tipo de despesa, totalizando os mesmos mensalmente e anualmente. Resolvi materializar esta metodologia e colocá-la no livro Terapia Financeira para que possa passá-la para milhões de pessoas.
FB - Quais os princípios de seu método? DOMINGOS - Os quatro pilares (do método) são: Diagnóstico (levantar o que você deve, o que você tem de bens móveis e imóveis, dinheiro guardado, entre outros), Sonho (objetivos ou metas idealizadas de curto, médio e longo prazo, informando o custo e o tempo necessários para realizá-los), Orçamento (descobrir seu verdadeiro eu financeiro por meio do registro de todos os seus gastos por 90 dias e estabelecer o orçamento ideal que deverá contemplar o sonho antes mesmo de gastar), e, por fim, Poupança, que garantirá sua independência financeira, visto que não existe saúde financeira sem reserva de dinheiro. Caso a pessoa queira saber quanto de dinheiro ela precisa ter para sua aposentadoria, basta acessar o site www.disop.com.br para descobrir o quanto precisará guardar para obter seu sucesso financeiro.
FB – Quais as suas recomendações específicas para mulheres? DOMINGOS – Primeiramente, aplicar os pilares da metodologia DiSOP. Assim, ela descobrirá seu verdadeiro eu familiar e poderá traçar seus sonhos. É importante que a mulher, em conjunto com seu cônjuge, faça uma reunião familiar mensal para falar sobre os verdadeiros números recebidos e gastos. É importante desenvolver a cultura de sonhar em família.
Tire as suas conclusões. |
14/09/2007 |
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Outra bolha explodindo?
O aperto de crédito nos EUA é para valer. O fundo de private equity KKR corre o risco de ter que adiar a venda de títulos para financiar sua aquisição, de US$ 26 bilhões, da First Data até a próxima semana, depois de não chegar a um acordo com os banqueiros que podem comprar o papelório (veja aqui uma reportagem da Bloomberg sobre o assunto). A firma de investimentos nova-iorquina e o comitê liderado pelo Credit Suisse não se entenderam, numa reunião realizada ontem, sobre preço e quantidade dos títulos à venda.
Wall Street acompanha de perto essas negociações, cujo desfecho pode ditar o rumo que terão outras grandes compras alavancadas de empresas. Existem, no momento, mais de US$ 300 bilhões pendentes em operações desse gênero, à espera de financiadores, que virtualmente desapareceram depois do estouro da bolha imobiliária. Podemos estar assistindo, agora, ao princípio da explosão de outra bolha americana, a do private equity.
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13/09/2007 |
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Recessão global a caminho?
E então? Voltamos do feriado com o mundo financeiro em polvorosa, já discutindo a recessão global? Um artigo muito bom da Bloomberg, publicado hoje, é desses para ler, guardar e conferir daqui a algum tempo.
A tese que ele sustenta é de que o crescimento global provavelmente vai desacelerar “marcadamente” nos próximos meses à medida em que a “fraqueza” da economia dos EUA “infecte” a Ásia e a Europa. É uma novidade importante visto que a locomotiva americana vem perdendo o gás há um ano e meio, até agora sem impacto maior sobre a expansão do PIB mundial, que seguia ao emocionante ritmo de 5% ao ano.
“O que é diferente agora”, explica a Bloomberg, “é que a queda brusca nos EUA está começando a se espalhar do mercado habitacional doméstico para consumidores que compram importados de companhias como a Toyota” – que, aliás, viu suas vendas nos EUA caírem pelo segundo mês seguido em agosto, algo que não acontecia em quatro anos e meio.
Pelas contas de gente grande como Morgan Stanley, Global Insight e Economist Intelligence Unit, se o crescimento do PIB americano reduzir-se apenas de 2,3% (taxa anualizada do primeiro semestre) para 2%, a expansão da economia global cairá só para 4,75%. Mas se houver recessão nos EUA, o crescimento mundial pode cair para 3,5% ou menos.
Na Europa, os sintomas de desaquecimento já são palpáveis. O custo do dinheiro aumentou para as empresas do velho mundo, já que os bancos tornaram-se subitamente conservadores na hora de financiá-las. Com o aumento do custo do crédito, o índice alemão de confiança nos negócios já registra seu pior nível em 10 meses.
Paralelamente, o governo chinês, que enfrenta a taxa de inflação mais alta em 10 anos, elevou as taxas de juros e forçou os bancos a moderar os empréstimos para resfriar a economia superaquecida.
Se a economia real começa agora a sentir os impactos da crise, no setor financeiro as coisas parecem definitivamente graves. Outra reportagem de hoje, essa do Wall Street Journal, revela que um papelório no valor de US$ 120 bilhões em commercial papers precisa ser renovado (fora dos EUA) na semana que vem, incluindo um gigantesco e peludo mico de US$ 56,5 bilhões em títulos lastreados em ativos, que simplesmente não encontra compradores.
“É uma hora crucial”, diz o WSJ. “Aumentando o desafio, os vendedores de commercial paper estão se voltando cada vez mais para prazos curtos, aumentando a quantidade de dívida a ser rolada em bases diárias ou semanais.” Detalhe: o mercado global de commercial paper é um monstrengo de US$ 3 trilhões.
Para completar o cenário desalentador desta segunda-feira, uma matéria do Financial Times de ontem, domingo, mostra que as agências de classificação de risco também estão “na linha de fogo”. As ações das empresas que controlam as três principais firmas de rating do mercado, Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch, caíram entre 32% e 39% nos últimos meses por temor de que a forte redução nas operações de crédito derrube as suas receitas e, mais do que isso, pelo fato de elas estarem expostas a processos por sua participação na farra dos títulos lastreados em créditos imobiliários podres. Resumidamente, essas agências ajudaram a “estruturar” esses papéis (que agora estão micando na mão de investidores) e, em seguida, carimbaram-nos com um sonoro AAA, o selo de qualidade do mercado.
Com notícias como estas, alguém se espanta que a Bovespa esteja caindo mais de 3%?
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10/09/2007 |
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Instabilidade adiante
O gestor de fundos Alexandre Póvoa, da Modal, estava surpreso com a forte reação positiva do mercado nos últimos dias quando conversou com este blog, no início da tarde de hoje – antes, portanto, que más notícias vindas dos EUA levassem a Bovespa a uma queda de 1,5%. “Acho que o mercado continuará tenso, e estamos longe da definição de um novo patamar de preços”, disse ele. Póvoa prevê que o cenário vai continuar muito volátil e sensível às notícias corporativas. “Creio que não podemos afirmar que o pior já tenha passado. Acredito que a decisão do Fed (neste mês de setembro, sobre a taxa básica de juros nos EUA) pode ser um divisor de águas importante. Se não baixarem os juros, qual será a "bóia” do mercado? E se baixarem desta vez, qual será a próxima bóia?”, questiona o economista. No caso brasileiro, segundo ele, uma potencial interrupção na queda dos juros, apesar de não ser nada demais, tiraria um pouco “daquela força inercial positiva dos mercados”. “Nos últimos meses, os investidores olhavam para frente e sempre viam alguma queda (dos juros)”, observa Póvoa. “Provavelmente estes bons tempos estão acabando, exatamente em um momento de piora no mercado externo.” Para terminar, uma advertência: “Não acho que o bom cenário para os ativos brasileiros tenha mudado no médio e no longo prazos, mas o curto prazo inspira cuidados”.
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05/09/2007 |
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