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Alexandre Teixeira é editor-executivo de Época NEGÓCIOS.
Vai acompanhar neste espaço as novidades das finanças - sobretudo
as pessoais.
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O melhor conselho sobre investimentos
Sai pela Larousse um livro de finanças pessoais com um mote surrado, mas ainda instigante: conselhos de quem sabe investir. O diferencial são os nomes por trás dos conselhos. Tem de Warren Buffett a Manoel Horacio Francisco da Silva, presidente do Banco Fator. Chama-se O Melhor Conselho Sobre Investimentos que Eu Já Recebi, da jornalista americana Liz Claman, da CNBC (160 páginas, R$ 19,90). O tom é, em geral, bem humorado, com tiradas boas como esta: “Meu pai dizia que qualquer coisa que pareça boa demais para ser verdade será mesmo boa demais para ser verdade”, de Donald Trump. “Sua sugestão era simples: antes de investir, avalie quanto dinheiro está disposto a perder”, afirma Trump em um dos 54 depoimentos inéditos reunidos no livro. Estão lá as dicas do original americano, acrescidas de nomes brasileiros. Entre eles, Emílio Odebrecht, Roberto Setubal, Ivan Zurita, Roberto Irineu Marinho, Gustavo Franco, Lázaro Brandão e o citado Manoel Horácio. O prefácio à edição brasileira é de Fábio Barbosa, presidente do Banco Real e da Febraban.
Fábio, aliás, observa com razão que o livro chega em boa hora ao Brasil, dado o bom momento econômico e a maior diversificação de investimentos já vista no País, com a migração do poupador das cadernetas e dos fundos de renda fixa para fundos multimercados, fundos de ações, bolsa, etc. Nunca houve tantos brasileiros interessados em orientação financeira.
Se o conceito é bom, o resultado deixa a desejar. É um privilégio ter acesso a um conselho de Buffett, o investidor mais bem sucedido da história recente. Mas há pouco mais em seu depoimento do que seus três princípios de investimento: avaliar o valor intrínseco do negócio, manter uma atitude construtiva frente às flutuações das ações e do mercado e trabalhar com uma margem de segurança. Maurício Botelho basicamente conta sua história na Embraer, e Lázaro Brandão, a sua no Bradesco, em quatro curtos parágrafos. Há uma profusão de nomes supostamente fortes nos Estados Unidos, mas que dizem pouco ou nada ao leitor brasileiro. E os depoimentos em primeira pessoa não ajudam muito.
Mas o livro tem seus momentos. Steve Forbes, presidente da Forbes, diz: “Minha filosofia básica é: se você quiser ficar rico, abra seu próprio negócio. Se investir, não caia na conversa de ninguém e atenha-se a investimentos disciplinados e de longo prazo. Todo mundo é um investidor disciplinado e de longo prazo até o mercado cair”. Mais: “Em investimentos, é necessário diversificar – não tente ganhar na loteria”. E ainda: “As pessoas devem ter em mente duas coisas sobre o mercado de ações, já que as emoções são tão fortes nessa área: se você se sentir bem, não faça; e, se você se sentir mal, faça.”
Para Forbes, quando o mercado está em baixa, a frase é “caindo pela ladeira da esperança”; quando em alta, “escalando os muros da preocupação”. Seu conselho final, óbvio mas necessário, é: “não colocar seu dinheiro em um único investimento, em uma única empresa ou em um único setor”.
O texto de Gustavo Franco, sobre Nelson Rodrigues e a importância da leitura, não vale um centavo como “dica de investimento”, mas é possivelmente o melhor escrito do livro.
Mais objetivo, Roberto Setubal diz que o melhor conselho que recebeu, dado o ambiente volátil do Brasil, “foi o de aplicar e reservar em renda fixa”. Ele se apressa, contudo, em ressalvar: “hoje, porém, as condições do País estão mudando, portanto aquela orientação já não é tão interessante daqui para a frente”.
Manoel Horacio, do Fator, volta à infância para pregar a poupança. “Desde criança me pautei por um ensinamento básico, que devo à minha mãe: ‘jamais gaste tudo o que você ganha’. É esse princípio, muito simples, que considero fundamental para um dia a pessoa vir a ter alguma coisa em que investir, porque o mais importante na vida financeira não é quanto você ganha, e sim quanto gasta”.
É isso, basicamente, o que há no livro. Pouco mais do que pérolas da sabedoria popular e um apelo ao bom senso, com alguns poucos momentos realmente inspiradores.
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31/10/2007 |
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Eu e minhas previsões...
A expectativa sobre o juro nos EUA fez a bolsa bater recorde. De novo. Estamos em 65 mil pontos e subindo. A Bovespa avançou mais 1,2% ontem. E isso num dia em que o petróleo bateu novo recorde e ultrapassou os US$ 93 em Nova York – o que seria interpretado como sinal de tempestade à vista em qualquer outro momento da história econômica recente.
O dólar, então, caiu a R$ 1,75, fazendo meu colega de redação Rafael Barifouse me cobrar, com razão e bom humor, explicações sobre minha previsão furada de que a cotação da moeda americana não cairia muito mais depois de romper a barreira de R$ 1,80. Eu estava errado. De novo. A expectativa, agora, já é de que o dólar pode ficar abaixo de R$ 1,70, segundo o banco Credit Suisse.
O motivo da euforia de ontem, que propiciou ganhos nos mercados acionários do mundo todo, é a expectativa de mais uma redução de juros nos EUA amanhã. Otimistas com a perspectiva de melhora no crescimento das principais economias, caso a medida se concretize, os investidores americanos saíram comprando ações planeta afora. Inclusive no Brasil, o que explica, em parte, a nova queda do dólar, provocada pelo excesso de divisas entrando no País. Mesmo com a atuação do BC, a moeda americana terminou o dia vendida a R$ 1,755, sua cotação mais baixa desde abril de 2000.
Sem querer desafinar o coro dos contentes – que têm direito e razão para estarem felizes com seus investimentos –, insisto em sugerir atenção para a alta do petróleo. O preço do barril bateu recorde pelo terceiro pregão consecutivo em Nova York e chegou a US$ 93 ontem. Analistas esperam que, com o aumento do consumo mundial, a cotação ultrapasse os US$ 100, com efeitos imprevisíveis sobre a economia global.
De resto, corroboro o otimismo, principalmente com o cenário interno. Mesmo com o dólar em baixa, a indústria brasileira cresce. E, o que é melhor, com os preços sob controle. Ontem mesmo, os analistas reduziram a previsão para a inflação no ano, medida pelo IPCA, a 3,86%. É quase céu de brigadeiro.
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30/10/2007 |
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Fed nada, Bovespa
A sensação seria de déjà vu se ficássemos somente no cenário externo. Aberta a nova temporada de projeções, a próxima decisão do Fed sobre juros americanos, marcada para quarta-feira, divide o mercado novamente. Em vez de gastar horas tentando imaginar o que Bernanke e companhia decidirão daqui a dois dias e como Wall Street reagirá, talvez seja mais divertido observar como os investidores miram agora o desempenho da ação da Bovespa, grande fenômeno nacional deste fim de outubro.
Diferentemente da reunião passada do Fed -- aquela histórica, em que o polêmico corte da taxa básica americana de 5,25% para 4,75% ao ano debelou o pânico nos mercados mundiais --, o encontro desta semana nos reserva poucas emoções. Com todos os seus altos e baixos, 2007 vai se caracterizando como um ano bom para os investidores tanto lá como cá. O Índice Dow Jones (nos EUA) acumula no ano uma alta de 10,8%, apesar da queda de 0,64% neste mês. A Bovespa segue nervosa. Subiu 5,55% só na semana passada, quando o dólar caiu mais 1,94% e alcançou novo patamar recorde de baixa. Com este cenário benigno e muito menos nuvens no horizonte do que há dois meses, não há muito porque se preocupar com os juros americanos.
Mais instigante e desafiador para o investidor é encontrar maneiras de acompanhar o desempenho da Bolsa de São Paulo – que até a semana passada funcionava como um clube –agora como uma empresa. Não se engane: por ora, só nos chegam boas notícias da Bovespa, puxadas pela espetacular temporada de IPOs, mas este será sempre um papel vulnerável a turbulências externas, muito mais do que a maioria das demais companhias. E, portanto, sujeito a maiores riscos.
De todo modo, se você gosta de emoções fortes, pode ir reservando mais algum dinheiro, porque o mercado se prepara para as ações da BM&F, que devem chegar ainda este ano, estimulados pela procura pelos papéis da Bovespa.
Os investidores internacionais certamente estarão presentes, a julgar pela repercussão do sucesso no lançamento das ações da Bovespa na mídia estrangeira (veja aqui um apanhado feito pela BBC Brasil e reproduzido pelo UOL).
Apesar da queda da ordem de 8% na cotação das ações da Bolsa de Valores (certamente realização de lucros depois da impressionante alta de 50% na sexta-feira) nesta manhã, o Ibovespa acentuou a tendência de alta dos últimos dias e ultrapassou os 65 mil pontos nesta segunda-feira, estimulada, em parte, pelos recordes de alta desta madrugada na Ásia.
Antes, porém, de decretar outra semana de euforia no mercado, convém aguardar a decisão do Fed sobre juros e lembrar que o preço do petróleo segue em patamares inéditos (US$ 90 em Londres, o óleo tipo Brent, novo recorde) e é um foco de preocupação mundial.
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29/10/2007 |
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Sem fundamentos
Comentário postado ontem neste blog pelo empresário e fiel leitor Antonio Sanchez Filho merece destaque. Diante da minha confessa incapacidade de compreender cada uma das guinadas do mercado nas últimas semanas – ontem quando escrevi, pela manhã, a Bovespa estava caindo forte, mas terminou o dia novamente em alta... –, ele faz uma ponderação importante. Em meio a acontecimentos como as altas e baixas repentinas das bolsas dos últimos dias, o melhor seria esquecer os fundamentalistas.
Fundamentalistas, como o nome sugere, são os analistas que estudam e interpretam o mercado de ações a partir dos fundamentos da economia (nacional e internacional), das empresas e dos setores. São aqueles capazes de nos dizer, por exemplo, que, se a economia brasileira está sólida e estável; a economia chinesa segue crescendo forte e demandando minério de ferro, e a Vale do Rio Doce mantém-se sob excelente gestão e capaz de atender aos pedidos vindos da Ásia, a tendência é de alta das suas ações. Em oposição, ou como complemento, aos fundamentalistas, há os analistas gráficos ou técnicos. Estes últimos dedicam-se a “ler” o comportamento passado dos mercados (e das ações das empresas) para prever movimentos de alta ou baixa, independentemente dos fundamentos.
Pois bem. O ponto de Sanchez é que os fundamentalistas não parecem ter como especialidade as previsões para movimentos de curto prazo, como os que temos observado, na esteira da crise imobiliária nos EUA. Para ele, a volatilidade do momento está menos relacionada a questões macro e microeconômicas do que a um desequilíbrio entre compradores e vendedores de ações no mercado. “Somente quando 50% do mercado for comprador e 50% for vendedor é que, em princípio, a volatilidade pode ser menos brusca”, escreveu ele. “Quando o mercado fica com 80% ou mais, por exemplo, de vendedores, toda e qualquer notícia vira gatilho para o maior grupo se movimentar para um lado e o menor grupo para o outro."
Desde a turbulência financeira de agosto, o equilíbrio entre compradores e vendedores está em permanente desequilíbrio nas bolsas de todo o mundo, fazendo a volatilidade ser brusca. Até que uma tendência mais clara se estabeleça, portanto, teremos de nos habituar a viver nesta montanha-russa. E a abrir mão de explicações “fundamentalistas” para cada solavanco.
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23/10/2007 |
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Que venham os “analistas”
Depois de um dia muito ruim nos mercados, como a sexta-feira passada, nada como más notícias vindas da Ásia para azedar de vez os humores. Tal como descrito em matéria desta manhã do New York Times online, preocupações renovadas com a saúde da economia americana derrubaram as ações asiáticas nesta madrugada.
Hong Kong caiu quase 4%. E a justificativa foi a safra de resultados fracos de empresas dos EUA, que acentuaram preocupações sobre a crise no mercado imobiliário. Na esperada reação em cadeia, as bolsas européias abriram em baixa, agora por “culpa” da Ásia – cujas bolsas viveram o pior dia desde a crise hipotecária dos Estados Unidos.
No Brasil, claro, o mercado está, para ser educado, uma droga. Dólar em forte alta. Bovespa em forte queda. Dá vontade de desistir de entender as finanças, porque, em momentos como este, o mercado parece simplesmente abandonar qualquer racionalidade e reagir emotivamente a qualquer fiapo de notícia. Mas não há de ser nada. Daqui para o final do dia surgirão os “analistas” com teorias seguras e bem acabadas que explicam o porquê da enésima mudança de humor dos investidores em duas ou três semanas. Vamos esperar por eles.
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22/10/2007 |
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Se correr, o bicho pega
Aconteceu. Após dois anos e 18 cortes, o BC interrompeu a queda do juro. Preocupado com o ritmo forte da economia e seu efeito sob os preços, o Copom decidiu, de forma unânime, manter a taxa em 11,25% ao ano. Seguindo o ritual de sempre, entidades da indústria e do comércio criticaram a manutenção dos juros. Abram Szajman, da Fecomércio SP, disse que os investimentos não virão enquanto a taxa não baixar para um dígito. Paulo Skaf, da Fiesp, afirmou que o Copom não entende a realidade. O economista do Iedi, Júlio Sergio Gomes de Almeida, ex-governo, disse que o BC “deu sinalização errada”.
Chiadeira à parte, o mercado deve sofrer ajustes com a decisão. Como boa parte dos analistas esperava um corte de 0,25 ponto percentual, as maiores alterações devem ocorrer nas taxas futuras de juro. Vai ser difícil acertar a mão, já que, ao usar a palavra “pausa” em seu comunicado ao mercado, o BC teria indicado intenção de voltar a reduzir os juros futuros. Ou, nas palavras de Alexandre Povoa, da Modal Asset Management, reconhecido que o juro real de equilíbrio pode ser mais baixo.
Outro efeito será sobre a taxa de câmbio. Como o Fed cortou os juros americanos para debelar a crise de agosto e, agora, o nosso Banco Central decidiu manter a Selic estável, a diferença entre as taxas externa e interna voltou a ficar apetitosa para o investidor internacional – o que significa que a enxurrada de dólares no mercado brasileiro vai se intensificar e, conseqüentemente, o preço da moeda americana tende a cair ainda mais.
De cara, a Fiesp voltou a cobrar do governo medidas para conter a desvalorização do dólar e sua contrapartida óbvia, a valorização do real, que deixa as exportações brasileiras mais caras. Ontem mesmo, o BC teve de elevar suas compras de moeda no mercado para manter o dólar acima de R$ 1,80. Só na primeira quinzena de outubro, US$ 1,3 bilhão entrou no País.
E o crescimento, como fica? Prejudicado. Antes mesmo de conhecer a decisão do BC, o FMI reduziu de 4,2% para 4% a estimativa de crescimento do País em 2008, como decorrência da crise do crédito nos EUA. Pelas contas do fundo, ela vai derrubar a expansão do PIB global de 5,2% para 4,8% no ano que vem. Pior: o FMI alerta para a ameaça de reaceleração da inflação nos países emergentes, em especial os da América Latina. O que significa que a margem de manobra de bancos centrais como o brasileiro é mínima. Se correr, o bicho inflacionário pega; se ficar, o bicho do crescimento anêmico come.
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18/10/2007 |
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Quem entende a bolsa?
O Ibovespa fechou há pouco em alta de mais de 2%. E isso num dia dominado por mais uma má notícia vinda dos EUA. O famoso “Livro Bege” do Fed revelou, nas palavras da Agência EFE, desaceleração da economia e aumento da incerteza.
É verdade, o preço do petróleo fechou em baixa depois de chegar pela primeira vez na história a US$ 89, em Nova York. Mas o cenário externo estava realmente pessimista durante o dia, com a constatação, pelo Fed, de que a economia americana está perdendo força desde agosto.
Você pode até dizer que o dia foi salvo pelos lucros altos anunciados por empresas americanas do setor de tecnologia, lideradas por Intel e Yahoo, que fizeram a Nasdaq subir 1%.
Mas a verdade é que não há uma única razão concreta para a forte alta de hoje na Bovespa. A Bolsa de São Paulo, como diz minha colega de redação Alexa Salomão, parece uma daquelas montanhas-russas da Disney, com uma sucessão interminável de subidas e descidas de matar do coração. Outro dia mesmo, a bolsa daqui caiu quase 3% e já nos perguntamos se o tempo ia fechar de novo. Agora, o clima é novamente de euforia.
Muita gente grande está ganhando dinheiro com o fenômeno já apelidado de “bolha das bolsas emergentes”. Não há nada de errado em pegar carona nessa onda. Mas convém ter muito, mas muito cuidado mesmo, para não ser pego na contramão se e quando os grandes investidores mudarem de idéia.
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17/10/2007 |
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"Faça Fortuna com Ações"
Quinze anos atrás, o jornalista Décio Bazin lançou o livro Faça Fortuna com Ações – antes que seja tarde. Talvez ainda não seja. E o livro está sendo relançado (Editora CLA, 342 págs., R$ 48,00).
Faça Fortuna... já vendeu 10 mil exemplares. Seu mérito é misturar técnicas de investimento com histórias e opiniões sobre o ambiente da bolsa de valores – de 15 anos atrás. Bazin, falecido há quatro anos, é apresentado pela sua editora como “o papa dos fundamentalistas”, o que soa exagerado em se tratando de um jornalista. Somos, quase sempre, eternos curiosos. E raramente profundos estudiosos. Bazin, no entanto, trabalhou 30 anos na bolsa e 20 como analista de mercado de capitais da Gazeta Mercantil. Ou seja, era um operador que virou comentarista, e não o contrário – o que faz toda a diferença.
É uma pena, portanto, que o “relançamento” seja meio mandrake. Mais correto seria falar em reimpressão, nem revista nem ampliada. Trata-se da mesmíssima edição anterior, a começar pelo prefácio de Klaus Kleber, ex-colega de Bazin na Gazeta, tratando-o como ainda vivo e atuante. Não se acrescentou nada novo, nem se cortaram trechos que se referem aos tempos inflacionários, quando o dólar era “a única moeda cujo valor a mente brasileira consegue entender”. O ambiente macroeconômico que serve de pano de fundo para o trabalho hoje soa como um fantasma do passado – felizmente para nós, infelizmente para o livro, que envelheceu mal e não passou pela plástica que mereceria para voltar às livrarias.
Estão lá as dicas que fizeram dele um sucesso, sobre temas como precificação de ações, dividendos e análise de risco. Isso, por si só, talvez conquiste o interesse de quem estuda o assunto para investir.
Mas o anacronismo tira muito do proveito da leitura. Termos técnicos aposentados, descrições intermináveis do ambiente do pregão viva-voz, novidades tecnológicas da época (como o telefone sem fio)... A quem isso interessa hoje? Do mesmo modo, o apelo da análise dos “crashes” vividos pelo autor, em 1966, 1969 e 1971, deve estar restrito a historiadores e/ou alunos muito dedicados.
Em resumo, é um livro valioso tecnicamente, mas mortalmente datado. E francamente chato. Ainda que com uma boa frase de efeito ou outra. Como esta: “Há duas coisas que incomodam na bolsa: os prejuízos da gente e os lucros dos outros”.
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17/10/2007 |
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Para que serve o “fundão”?
Se a crise nos mercados praticamente acabou, por que razão surgiu no cenário esse fundão “anti-crise” de pelo menos US$ 75 bilhões? Resposta rápida: porque o imbróglio dos títulos lastreados em hipotecas podres deixou seqüelas. No mercado de crédito global e nos balanços de muito banco por aí.
O que os grandes bancos dos EUA tentam, agora, é restaurar a confiança nos mercados de crédito. Reportagem de hoje no New York Times explica que o plano é criar um novo “veículo de financiamento” para tentar reduzir o risco de um colapso no mecanismo de empréstimos que faz o dinheiro circular pelas artérias do sistema bancário mundial.
Ou seja, para dizer bem a verdade, a crise está longe de ter acabado. Neste momento, o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, se desdobra para estabilizar os abalados mercados de hipotecas e construção, sem apelar para um pacote de socorro governamental. O presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, já deixou claro que vê com preocupação a freada na indústria americana da construção civil (veja outra reportagem do NYT aqui).
À medida que os calotes dos mutuários americanos aumentam, Washington teme que os problemas no mercado imobiliário possam persistir por mais tempo do que a maioria dos analistas previu. Um novo relatório divulgado ontem sugere que mais americanos podem perder suas casas por interrupção nos pagamentos de seus financiamentos.
Isso, claro, significa contágio da economia real americana. E, evidente, problemas para a economia global.
Ontem, porém, já com parte deste cenário esboçado nas telas dos computadores de analistas e investidores, a Bolsa de São Paulo subiu, novamente “descolada” do cenário sombrio de Wall Street. É algo que começa a se tornar comum no mercado brasileiro – e em outros países emergentes. Mas que não deve ser subestimado. Durante décadas, era clichê dizer que um espirro nos Estados Unidos era certeza de pneumonia nos países menos desenvolvidos. Hoje, certeza não é. Mas o risco existe.
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16/10/2007 |
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Ambiente desanuviado
Como nos últimos meses, a divulgação da ata da reunião do Fed é aguardada pelos mercados com ansiedade. A diferença é que já não se sente aquele clima de dedo no gatilho, aquela espera de um mínimo indício de confusão para a venda imediata de ações ou coisa parecida.
A Bovespa subiu mais 3,07% na última semana. Ficou ainda mais claro que a recuperação da bolsa premia o sangue-frio. O Ibovespa teve valorização de 29,8% entre 16 de agosto, quando registrou seu pior momento desde abril, e a última sexta-feira. Com isso, após as quedas provadas pela crise no mercado imobiliário americano, a Bovespa retoma um patamar recorde, uma alta histórica.
É claro que os analistas ressaltam que entrar no mercado acionário em momentos de volatilidade não é recomendável para investidores inexperientes. Mas que o ambiente desanuviou, desanuviou.
O mercado prevê juros e dólar mais baixos, e volta a acreditar em nova ousadia do Copom. Uma pesquisa do BC divulgada hoje mostra que é majoritária a aposta em um novo corte da Selic, para 11% ao ano, na próxima semana.
Com tudo isso, é surpreendente que a Bovespa abra a semana em queda e o dólar suba. Tudo indica que ainda seja a chamada realização de lucros, depois das altas dos últimos dias. Se o seu cenário é otimista, veja a baixa de hoje como uma oportunidade de encontrar bons papéis a preços convidativos.
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08/10/2007 |
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