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Alexandre Teixeira é editor-executivo de Época NEGÓCIOS.
Vai acompanhar neste espaço as novidades das finanças - sobretudo
as pessoais.
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É hora de retranca
A Bovespa teve ontem o quinto pregão consecutivo de alta. Subiu 0,31%, enquanto a Bolsa de Nova York recuava. Sinal dos tempos. Discute-se crescimento de 5% para o PIB aqui, enquanto lá o prêmio Nobel Gary Becker diz que os Estados Unidos podem já estar em recessão.
Se é assim, a primeira questão é: o Brasil tem mesmo força para descolar de vez dos EUA e sustentar seu crescimento apoiado nas exportações para a China e nas vendas para o mercado interno? Neste caso, pergunta-se em seguida: e a Bovespa, tem condições de continuar subindo, mesmo que na contramão de Nova York?
Bom, do ponto de vista estritamente financeiro, as blue chips brasileiras ainda têm preços baixos, na comparação com seus pares no Primeiro Mundo. As exportações do Brasil crescem mais do que as da União Européia, dos EUA e da China. E o país ainda nem começou a desfrutar de uma de suas commodities do futuro, o biodiesel.
Por outro lado, deixem-me voltar ao tema do quase pânico nos Estados Unidos. Em seu artigo de ontem no New York Times, Paul Krugman se pergunta quão grave é a crise financeira americana. Ele próprio responde: “Bom, eu nunca vi insiders financeiros tão aterrorizados – nem mesmo durante a crise asiática de 1997-98, quando dominós econômicos pareciam estar caindo ao redor do mundo”.
É uma observação absurdamente preocupante, ainda que vinda de um liberal (no sentido americano do termo, que para nós seria algo como esquerdista) não raro acusado de ser catastrofista. É preciso ser ingenuamente otimista para acreditar que uma recessão nos Estados Unidos – ou coisa pior, como um colapso no sistema internacional de crédito tal como o conhecemos – pode acontecer sem afetar o restante do mundo. Por mais que a China continue acelerando, que a demanda indiana aumente, que outros emergentes entrem no radar econômico e que o Brasil dê sua contribuição ao mercado global, é certo que a desaceleração americana brecará o crescimento mundial.
Para resumir, ainda não é caso para desespero. Mas há motivos de sobra para se adotar uma posição defensiva nesta virada de ano de nuvens carregadas. Estou convencido de que não é hora de fazer novas apostas no mercado. E de que talvez seja o momento de se desfazer de posições arriscadas, enquanto é tempo de “vender na alta”.
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04/12/2007 |
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Dólar, bolsa e medo
Uma olhada precipitada no ranking dos investimentos em novembro sugere que o dólar virou boa aplicação – já teve alta de 3,3% no mês. No ano, porém, o resultado acumulado é uma queda de 16% e, vale lembrar, a moeda americana está em queda livre internacionalmente e é um dos motivos de maior preocupação no cenário econômico mundial.
Impressionante mesmo é o dado sobre a captação dos fundos de ações: R$ 18 bi líquidos de janeiro a novembro. Há um ano, o segmento respondia por 8,8% do mercado de fundos. Agora, são 11,4%, a maior participação da história. Dito de outro modo, do patrimônio total de R$ 1,1 trilhão da indústria de fundos no Brasil, R$ 125 milhões estão em fundos de ações. A explicação, claro, é a manutenção da Bovespa em alta nos últimos cinco anos. O Ibovespa, em pontos, mostra a escalada. Partindo de 11.268 no último pregão de 2002, o índice chega hoje a 62.156. Lindo. Mas veja o que disse o administrador de investimentos Fábio Colombo à Folha de S. Paulo hoje: “Quem ficou fora da bolsa até o momento deve tomar cuidado, pois o mercado está perigoso, especialmente para o investidor leigo. São cinco anos seguidos de alta e em algum momento vai haver realização de lucros mais fortes”.
Essa preocupação parece não estar na cabeça daqueles que se atiraram com fúria sobre as ações lançadas na sexta-feira pela BM&F. Agora, a bola da vez é o lançamento de novas ações do BB – que, atenção, não é uma oferta pública inicial. O banco já tem papéis negociados na Bovespa – que, por sinal, acumulam valorização de 64,4% este ano.
Por mais que as coisas pareçam calmas deste lado do mundo, há um quase pânico lá fora. Quase, porque, como diz o New York Times, os investidores parecem encontrar conforto na noção de que a economia corre tanto perigo que está forçando o governo a montar um agressivo esforço de resgate. Não me parece, pessoalmente, um bom momento para grandes apostas na bolsa.
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03/12/2007 |
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Vietnã e BM&F
Vou juntar dois temas num post. O primeiro é uma tentativa – insatisfatória e atrasada, eu sei – de responder a uma questão feita pelo leitor Pablo Magalhães, em comentário postado dias atrás neste blog. O tema é a ascensão do Vietnã à condição de potência econômica regional e as eventuais oportunidades que ela abre para o investidor brasileiro. “Com custos ainda mais baixos que o dragão asiático (a China), mão-de-obra qualificada (inglês como segunda língua) e relativa estabilidade política, este país tem atraído grandes empresas, como a famigerada Coca-Cola”, escreve Pablo. “O que você acha disso? Será que é hora de apostarmos nossas fichas (leia-se dinheiro) em empresas com investimento no Vietnã, ou ainda é cedo para tal ousadia nossa?”, ele pergunta.
Eu acho que o avanço econômico do Vietnã é, na verdade, parte de um processo mais amplo, de valorização dos países emergentes e das suas empresas, que é liderado pela China. É uma excelente notícia, sobretudo agora que a economia dos Estados Unidos está desacelerando, mas, infelizmente para nós, o Extremo Oriente é território pouquíssimo explorado pelas companhias nacionais.
Acho que é hora, sim, de apostarmos nossas fichas em empresas com investimentos na Ásia, que hoje é o continente mais dinâmico em termos econômicos. Mas, embora eu tenha acabado de produzir uma reportagem especial sobre multinacionais brasileiras (para a próxima edição de Época NEGÓCIOS) e, portanto, pesquisado bastante sobre o tema e entrevistado executivos de muitas empresas, não saberia orientar o investidor sobre quais companhias brasileiras têm investimentos no Vietnã – que, de resto, é um mercado praticamente inexplorado por nós. Se a presença na China serve para indicar o interesse da empresa pela região, aí sim, eu indicaria, acima de todas as demais listadas na Bovespa, Vale e Embraer.
Meu segundo assunto é o IPO da BM&F. A procura, conforme esperado, foi extraordinária. Cada investidor pessoa física pôde comprar, no máximo, R$ 1,6 mil. Como bem observa a Folha de S. Paulo hoje, pode ser um bom momento para se repensar esse limite de 20% para as cotas de ações em lançamento reservadas para o varejo. A pulverização do capital acionário é importante e desejável. Logo, se há tanta demanda, não vejo por que não atendê-la.
Dito isso, continuo achando que uma procura tão grande por ações da BM&F, num momento de tanta incerteza sobre os próximos meses/anos nos mercados mundiais, cheira a exuberância irracional. Eu sei que a decolagem dos papéis foi espetacular (alta da ordem de 30% somente nas primeiras horas do pregão). Sei também que nos últimos dias o humor do mercado melhorou, tanto aqui como fora. Mas continuo convencido de que, se você realmente acha que é um bom momento para investir na bolsa, deveria optar pelas blue chips brasileiras: Vale, Petrobras, Itaú, Bradesco e companhia limitada. Não estou agourando, ok? Só tentando ser racional.
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30/11/2007 |
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Resgate à moda árabe
A salvação, pelo menos temporariamente, vem do Oriente Médio. Ontem, depois de abrir em baixa sob pesada tensão, as bolsas de boa parte do mundo viraram, acompanhando o alívio mundial pelo resgate oferecido ao Citigroup por Abu Dabi. O governo do emirado, por meio de um fundo de investimento soberano, comprou o equivalente a 4,9% das ações do combalido gigante financeiro americano, jogando água na fervura da crise do crédito. Pagou US$ 7,5 bilhões e credenciou-se para se tornar o maior acionista individual do Citi (assim que os títulos comprados forem convertidos em ações), superando o mítico príncipe saudita.
Quase ao mesmo tempo, a Opep, dominada por países árabes, deu sinais claros de que está disposta a coordenar um aumento da produção de petróleo para conter a alta de preços da commodity. Resultado: desde ontem as cotações estão caindo e hoje operam na casa dos US$ 94, em Nova York.
Com o mundo duplamente aliviado, os mercados vêm se recuperando. No Brasil, depois de sete altas consecutivas, o dólar cai mais de 1% nesta manhã. Por volta das 10 horas, o índice futuro da Bovespa indicava mais um dia de recuperação.
Cruze os dedos.
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28/11/2007 |
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É correção
A Bovespa caiu 3,12%, e o dólar subiu de novo ontem.
Cresceu o temor de recessão nos EUA.
Dada a turbulência, a bolsa de SP acumula perda de 9,57% em novembro. E o dólar já acumula alta de 5% ante o real.
Vinicius Torres Freire pergunta hoje, em sua coluna na Folha de S. Paulo: “É ‘correção’ ou é ‘ladeira’?” É correção, me arrisco a responder. O mercado global está sendo afetado pelos temores sobre a economia dos EUA. O índice Nikkey, do Japão, já caiu exatamente o mesmo tanto que o Ibovespa (9,7%), o Dow Jones, dos EUA, já recuou 8,52%, e a Bolsa de Londres, 8,05%, todos neste mês.
Dado o nervosismo dominante, a Bovespa pode recuar mais. Sem alívio lá fora, uma nova queda aqui dentro parece inevitável. A baixa continuada do Ibovespa, no entanto, resultará, em dado momento, num custo menor para aquisição de ações de primeira qualidade. Isso tende a reequilibrar o valor desses papéis, quando passar a crise de pânico vinda dos EUA.
Só uma ressalva: estou falando das “blue chips” brasileiras e não do Ibovespa como um todo nem, muito menos, do festival de IPOs. Aliás, não custa repetir, estou impressionado com a megademanda pelas ações que a BM&F lançará no mercado – já suficiente para elevar seu preço inicial, antes mesmo no início das negociações. É o tipo de comportamento que, neste momento de incerteza geral, tem tudo de exuberância racional.
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27/11/2007 |
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O exemplo de Bruno
O leitor Bruno Brandão me enviou por email este comentário, que tomo a liberdade de compartilhar com vocês.
Olá Alexandre, Perfeita a coluna de hoje no Blog (Salve a China, salve o mundo). Continuo fielmente investindo 90% dos meus lucros do mês na Vale. E cada vez mais deixando de lado meu Renda Fixa, que aliás já está merecendo ser trocado pela poupança - ele está rendendo coisa de 0.8% mensal (ridículo). Mantenho 75% do meu patrimônio nele. Às vezes fico "coçando" para aumentar meu montante na Vale... Mas aí concluo que devo deixar os 75% lá quietinhos, e tudo que entra agora vai para a Vale. Se pudesse, gostaria que comentasse minha decisão. Acha que estou no caminho certo? Grande abraço e sucesso!!!! Att. Bruno Brandão
Bruno, antes de mais nada, agradeço o elogio e principalmente a leitura.
Para mim, a melhor parte de seu comentário é sobre ficar “coçando” para aumentar seu volume de investimentos na Vale. É a sensação mais normal do mundo, quando você tem confiança na empresa, observa um desempenho invejável das ações dela e vê seu patrimônio engordando graças aos bons resultados conseguidos por ela. Mas o que admiro mesmo é a sua determinação em resistir à tentação e se manter firme no seu plano inicial, de manter 75% de seus recursos em renda fixa, evitando se expor a mais riscos do que o previsto.
É esta decisão sua que o diferencia do investidor empolgado, em geral marinheiro de primeira viagem, que confunde a bolsa com um cassino, acha que a sorte está do seu lado, e, eventualmente, perde o controle sobre suas aplicações.
Portanto, sem dúvida acho que está no caminho certo.
Aproveito a deixa para tratar do assunto a que eu pretendia dedicar meu post de hoje. O Brasil não está imune à crise financeira que vem dos Estados Unidos. Quem diz é Henrique Meirelles, tal como citado na Folha de S. Paulo. O presidente do BC afirmou ontem a uma platéia de mais de cem executivos financeiros que o crescimento econômico brasileiro depende mais de fatores internos e deve seguir sólido. Mas fez novo alerta sobre o risco de euforia no mercado de ações. E ele está mais do que certo. Pelas contas da OCDE, a perda com a crise do subprime pode chegar a US$ 300 bilhões. Mas muita gente parece não dar bola para as nuvens negras no horizonte. Ficamos sabendo ontem, por exemplo, que a forte procura pelas ações que a BM&F vai lançar no mercado pode elevar o preço inicial da oferta – claramente insuficiente para saciar o apetite dos investidores animados pelo sucesso da abertura de capital da Bovespa.
Os preços elevados das ações brasileiras preocupam Meirelles, que parece temer uma versão cabocla da exuberância irracional do mercado americano há uma década, na expressão imortalizada por Alan Greenspan.
Que prevaleça a racionalidade de investidores como o Bruno Brandão.
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23/11/2007 |
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Salve a China, salve o mundo
Pois é. A mudança de tempo nas finanças de que falava ontem parece ser para valer. As incertezas sobre a economia dos Estados Unidos derrubaram bolsas do mundo todo nos últimos pregões – embora a Bovespa tenha reagido hoje à tarde. O temor maior ainda é a crise do crédito imobiliário. Mas agora o mundo também acordou para a alta do petróleo – coisa de 20 dólares em 60 dias! Ontem, o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, disse que a inadimplência nos financiamentos imobiliários de seu país pode ser ainda maior no ano que vem. E o barril de óleo chegou pertinho dos cem dólares antes de recuar para US$ 97,3 no fechamento. Resultado: o Ibovespa caiu 2,81%, a Bolsa de Londres perdeu 2,5%, a do Japão, 2,46% e a dos EUA, 1,62%.
“Esta semana tem girado em torno do medo superando a ganância”, afirmou James Paulsen, estrategista-chefe de investimentos da Wells Capital Management, na frase escolhida como “citação do dia” pelo New York Times. O diário americano apelidou estes dias de “semana feia”. Reportagem do NYT mostra que o Índice Dow Jones caiu a seu nível mais baixo desde abril. O problema, diz o jornal, é que “os investidores permanecem assustados e incertos sobre uma crise de crédito que não dá sinais de ceder”.
Corte rápido para 2008, esboçado pelo pacotão de previsões publicado ontem pela The Economist. Os EUA escaparão por pouco da recessão, mas perderão velocidade de crescimento. Assim, a economia global terá de ser puxada pela China, pela Índia e pelos demais emergentes. A América do Sul, com o Brasil à frente, vai se voltar ao abastecimento da China, dona de apetite pantagruélico.
O mercado chinês, segundo estimativas do Deutsche Bank, consumirá cerca de 35% da produção mundial de minério de ferro, 30% do alumínio, 25% do zinco e 23% dos suprimentos de cobre internacionais até 2010. Por isso, é do interesse do planeta que o BC da China consiga conter o superaquecimento econômico (crescimento anualizado de 11,5% ao longo dos últimos 9 meses), de modo que o trem continue acelerando, porém sem descarrilar. A mensagem é: salve a China, salve o mundo.
De volta a 2007, é preciso encarar o fato de que, até ontem, a Bovespa acumulava perda de 7,25% no mês e estava em seu patamar mais baixo desde 4 de outubro: 60.581 pontos. A pergunta mais imediata, formulada há pouco aqui na redação pelo colega Eduardo Ferraz, é: a bolsa vai se recuperar?
Provavelmente, sim. A indústria está otimista para 2008, segundo sondagem da FGV. E a própria queda da Bovespa neste fim de novembro, ao levar o preço das ações a níveis mais razoáveis, pode abrir espaço para uma nova onda de valorização em 2008. O ceticismo, conforme comentei ontem, se dá pelo fato de que estamos terminando o quinto ano consecutivo de alta na Bolsa de São Paulo. Somente de janeiro para cá, o Ibovespa subiu 36,22%.
Pessoalmente, sugiro que se comece a pensar mais em ações específicas do que no Ibovespa. Por exemplo, a Vale, que aliás teve ontem a compra da Inco aprovada pelo CADE, deixou faz tempo de ser uma empresa exclusivamente brasileira para se tornar um grupo global de mineração. Que exporta como poucos para a China.
De resto, com todo o interesse global pelos emergentes, continuamos tendo um mercado aquecido. Estou convencido de que a bolsa sobe mais. Mas cada vez mais com altos e baixos no caminho.
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22/11/2007 |
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Virada de tempo
A marca deste segundo semestre é a instabilidade, e dela derivam previsões, no mínimo, precipitadas. Mas o tempo parece estar virando, de novo, para pior. E convém ficar esperto. Veja apenas os dados de ontem. O Fed reduziu a previsão de crescimento dos EUA de 2,75% para 2,5% em 2008. Preocupa a mistura de anemia econômica e pressão inflacionária – leia-se risco de estagflação. O Banco Mundial prevê mais turbulência. E o dólar, no menor nível em relação ao euro, é rejeitado de Caracas a Agra, na Índia, onde não é mais aceito para o pagamento do ingresso no Taj Mahal.
Na semana passada, duas revistas de ponta, The Economist e Business Week, saíram com matérias prevendo, no mínimo, uma freada forte do consumo nos EUA. Discute-se se haverá recessão ou não por lá. Talvez não, diz a Business Week, porque boa parte do que os americanos consomem é fabricado fora do país. Ou seja, o problema estaria espalhado pelo mundo. Recessão mundial, então? Talvez não, diz a The Economist, porque os países emergentes, pela primeira vez na história, parecem ter força para rebocar um bom pedaço da economia global. Mas que o crescimento econômico mundial vai diminuir, isso vai.
Se você levar esse cenário sombrio para 2008 em consideração, provavelmente vai acabar se perguntando se a Bovespa tem fôlego para um sexto ano de alta consecutiva. Eu tendo a pensar que não. Mas confesso que, ao final de 2005, eu já não acreditava que viria um quarto ano “no azul”.
Volto ao tema em breve.
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21/11/2007 |
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Lucro X rentabilidade
Interessante o estudo divulgado hoje pela Economática sobre os maiores lucros da América Latina. A Petrobras é a empresa mais lucrativa nos nove primeiros meses de 2007 entre todas as empresas de capital aberto na região. Mas é também uma das menos rentáveis.
Nos três primeiros trimestres do ano, 17 companhias latino-americanas superaram a marca de um bilhão de dólares de lucro. No mesmo período de 2006, foram 12. Das 17 deste ano, há 10 brasileiras, cinco mexicanas, uma da Argentina e uma do Peru. Em 2006, eram sete do Brasil, quatro do México e uma argentina.
O revelador é que, quando se olha a rentabilidade sobre o patrimônio, a Petrobras vai para o outro extremo da lista. É a penúltima colocada do ranking, à frente apenas de outra gigante, a mexicana Cemex.
Olhando os dois rankings, o destaque da região é a Vale do Rio Doce: segundo maior lucro (US$ 8,5 bilhões) e terceira melhor rentabilidade (34,13%). |
16/11/2007 |
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Propaganda contra o BB
O Banco do Brasil, como se sabe, não é puramente estatal. É uma instituição de economia mista e, embora controlado pelo governo federal, tem capital aberto e, portanto, disputa as atenções dos investidores como qualquer outra S.A. Nesse contexto, imagino a dor de cabeça dos minoritários ao abrir os jornais hoje cedo e descobrir que o lucro do BB caiu 21% e Mantega não vê problema.
O ministro defende “lucros um pouco menores” para os bancos brasileiros, “idealmente”. E acrescenta que o papel do BB “não é ser o mais lucrativo do País”.
Longe disso, aliás. O ganho do Banco do Brasil recuou 20% no acumulado dos primeiros nove meses do ano. E ficou bem abaixo do dos bancos privados.
Não há nada de fundamentalmente errado com o balanço do banco, afetado principalmente por despesas extraordinárias – como as originadas em um programa de demissões voluntárias. Ruim é a fala de Mantega, que sugere que os gestores do BB não perseguem as mesmas metas dos bancos privados brasileiros, sabidamente entre os mais rentáveis do mundo. É difícil, portanto, justificar uma indicação de compra das ações do BB, quando há papéis do Bradesco e do Itaú nas prateleiras, e esses dois, claramente, disputam palmo a palmo a liderança em lucros no mercado.
Curiosamente, isso acontece em um ano de excepcional desempenho das ações do Banco do Brasil. Sua valorização só perde para a do Santander. A alta acumulada até ontem é de 34,90%, contra 27,30% do Unibanco, 21,40% do Bradesco e 14,70% do Itaú.
O comentário do ministro Mantega é propaganda contra.
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14/11/2007 |
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Petrobras mais barata
Supostamente, foi a queda das ações da Petrobras que fez a Bolsa de São Paulo recuar 4,34% ontem.
Mas há mais do que isso. Há o cenário externo ruim, enfatizado ontem pelo fundo americano de private equity Blackstone, que usou a expressão “buraco negro” para descrever a crise de crédito – ainda aquela de agosto, iniciada com o subprime.
No segundo pior pregão do ano, as ações da Petrobras e da Vale, as mais negociadas, tiveram quedas expressivas. A estatal sofreu as conseqüências do resultado ruim no terceiro trimestre. A mineradora foi prejudicada pela queda no preço dos metais.
A turbulência deve continuar nos próximos dias, porque há focos de instabilidade também no cenário interno. No boletim Focus, do BC, analistas reduziram a expectativa para o PIB. Na balança comercial, o superávit acumula queda de 11% ao ano – o que leva cada vez mais gente a reivindicar (e outros a repudiar) medidas de controle de câmbio.
O próprio ministro Mantega já admite algum tipo de intervenção. Diz que não tem nada preparado, mas não descarta agir se a queda do dólar se acentuar.
No caso específico da Petrobras, a queda de ontem pode ter tornado os papéis atraentes para compra. Claramente, o balanço do terceiro tri serviu de pretexto para muito investidor vender ações da petroleira e embolsar o lucro dos últimos meses. Porém, com a descoberta do megacampo de Tupi e a demanda crescente por energia, a tendência é de valorização dos papéis da empresa. Para quem acredita na Petrobras, as ações, em resumo, estão baratas.
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13/11/2007 |
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Aprenda com a bolha do Japão
No Informativo INI (boletim mensal do Instituto Nacional de Investidores) de novembro há um artigo sobre a bolha de 1989 em Tóquio. Vale a pena dar uma olhada.
Começa assim: “O brasileiro está assistindo à bolsa em alta desde o final de 2002, o que pode dar a falsa impressão de que não existe o que os estrangeiros chamam de ‘bear market’, ou seja, mercado deprimido por longo tempo”. É um dos temas em que tenho insistido desde o início deste blog: altas não duram para sempre e, portanto, um dia, infelizmente, a maré alta de hoje vai mudar.
O artigo do INI resume assim o crash da Bolsa de Tóquio: “Em dezembro de 1989, o Índice Nikkei 225 chegou ao seu recorde de pontuação, 38.916 pontos. Hoje, quase 19 anos depois, esse índice está na casa dos 16 mil pontos, representando uma queda de 59% em seu valor”. Não acho que seja o caso de se assustar com a possível comparação com o caso da Bovespa, porque trata-se de realidades e momentos muito diferentes, mas de usar esse fato como ponto de partida para uma reflexão.
“Entre 1955 e 1980, o preço das propriedades no Japão cresceu 70 vezes e o valor das ações, 100 vezes, o que tornou a compra e a venda de ações o ‘esporte’ nacional do Japão na década de 80”, afirma o texto do INI. Para, em seguida, fazer um paralelo: “Recentemente a Petrochina tornou-se a empresa de maior valor de mercado, atingindo US$ 1 trilhão, valor mais de duas vezes superior ao da Exxon Móbil, que tem um lucro duas vezes maior”.
Os fatores por trás da bolha japonesa seriam: crescimento econômico, redução de juros, excesso de liquidez e alta impressionante no valor das propriedades.
“Os investidores, após décadas de crescimento, desde a Segunda Guerra, depois de um início de década esplêndido e com um crescimento vertiginoso a partir da segunda metade dos anos 80, pensaram (errado): Bull Market Forever! Em bom português: essa coisa não cairá nunca!”
Esse é justamente o risco que corremos agora. “Perde-se o medo, a cautela, em casos como esse.” Aos que se sentem super-heróis depois de uma longa temporada de acertos na Bovespa, recomendo enfaticamente a leitura do artigo.
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12/11/2007 |
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Considere-se avisado
Retomando de onde parei ontem. O Itaú lucrou R$ 6,4 bi em nove meses e superou o ganho do Bradesco.
O banco atribui o resultado recorde à expansão do crédito para pessoa física e à queda na inadimplência. O Itaú, é verdade, teve perdas de R$ 64 milhões em operações de tesouraria, por causa da instabilidade do mercado no terceiro trimestre. Mas foi pouco mais que um arranhão no lucro do período, que chegou a R$ 2,43 bilhões.
Desta vez, a ficha caiu para o investidor brasileiro. Com o mercado menos tenso do que na segunda-feira, a Bovespa subiu 2,45%, e o dólar recuou para R$ 1,736. Como diz o redator-chefe de Época NEGÓCIOS, Ivan Martins, baixamos a níveis de câmbio de Gustavo Franco. E isso não é bom. Já se notam sinais de desaquecimento das exportações brasileiras. Quem vende commodities, como a Vale, está tranqüilo, porque a demanda continua alta e os preços são fixados internacionalmente. Quem vende manufaturados, como a Embraer, naturalmente está preocupado. Você pode dizer que o câmbio baixo favorece setores que dependem de importações, o que evidentemente é verdade. Mas o balanço para o País, é negativo.
De resto, o cenário interno, como disse ontem, é mais que razoável, sobretudo no que diz respeito a inflação. Mas vou ser chato o bastante para lembrar, mais uma vez, que há uma grande nuvem literalmente negra no horizonte. É um recorde, também, porém muito negativo. O petróleo subiu mais 2,9% e chegou a US$ 96,70 em Nova York ontem. Daqui a pouco vai bater em US$ 100, e vamos ser bombardeados de notícias a respeito. Surgirão “analistas” atribuindo ao óleo caro uma queda qualquer das bolsas. Considere-se avisado.
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07/11/2007 |
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Bancos: melhor aqui
O Bradesco teve lucro recorde até setembro: R$ 5,8 bi. Durou um dia. Hoje, o Itaú divulgou seu ganho no mesmo período: R$ 6,4 bi.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, o Citi reconheceu perdas de até US$ 11 bilhões e perdeu seu presidente, levado a renunciar.
É difícil de acreditar, mas os grandes bancos brasileiros, neste momento, estão mais sólidos que os americanos. O problema, lá, é que ainda não se sabe ao certo o tamanho do rombo causado pela crise das hipotecas podres. Como esses papéis vagabundos eram agrupados em lotes fedorentos (virtuais, evidentemente) e depois rateados entre tesourarias de bancos, fundos de investimento, etc., continua-se até hoje procurando os detentores desses micos financeiros. O Citi, como se viu, tinha uma macacada inteira nas mãos.
Pior: esses títulos ordinários ainda estão na praça, mas, como ninguém os quer, é quase impossível saber quanto valem agora. Logo, é difícil passá-los para frente em bases racionais, como seria saudável. Enquanto não for possível calcular um novo valor de mercado para esses papagaios grotescos, o sistema de crédito dos EUA (e boa parte do internacional) não se normalizará.
Em comparação, o resultado divulgado pelo Bradesco ontem era o maior já registrado por um banco no país entre janeiro e setembro. Ganhos com serviços bancários e concessão de crédito, puxaram o crescimento. Aqui, diferentemente do que se vê nos EUA, não há interrupção da cadeia de financiamentos ao público. Ao contrário, a carteira de empréstimos do banco aumentou 27% em 12 meses. Só no último trimestre, o Bradesco lucrou R$ 1,85 bi.
O Itaú fez ainda melhor. Seu lucro nos primeiros nove meses de 2007, segundo a Economática, é o maior já obtido por um banco brasileiro de capital aberto. Mesmo quando se consideram períodos completos de 12 meses.
A solidez dos bancos brasileiros, demonstrada por Bradesco e Itaú, deveria ser motivo de otimismo no mercado. Mas, inevitavelmente, as perdas de bancos dos EUA trazem apreensão. Ontem, a bolsa de SP acompanhou Nova York e recuou 1,7%. Hoje, até às 14 horas, a Bovespa sustentava alta da ordem de 1,3%, mesmo depois de os mercados americanos perderem força.
É mais razoável que seja assim. O cenário interno segue muito positivo. Os preços dos alimentos subiram menos nos últimos dias, e a Fipe já prevê inflação menor em SP. A fundação revisou a projeção para o ano de 4,1% para 3,6%. O preço da cesta básica caiu em cinco capitais em outubro. E, segundo a pesquisa Focus, do BC, as projeções para o IPCA neste ano recuaram para 3,83%.
O risco, portanto, vem todo de fora. Como bem pergunta o Valor Econômico hoje, quem será o próximo CEO de banco americano a cair?
Sobre o assunto, aliás, o New York Times de hoje traz matéria interessante, dando conta de que a queda de Charles Prince, ex-presidente do Citi, foi definida na semana passada, quando o mítico ex-presidente do grupo, Sandy Weill, voou até a Arábia Saudita para um encontro com o príncipe Walid bin Talal, maior acionista do Citigroup. Ali, a cabeça de Prince foi oferecida. E aceita.
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06/11/2007 |
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